sábado, 26 de janeiro de 2008

54.

Disseram amor
Sem se perceberem.
Dançaram na praia,
No asfalto dos loucos,
Entre o céu e o nada
Foram morrendo aos poucos.
E eu e tu somos iguais.
E pediram-se um beijo,
Uma mão que os agarre,
Parados no tempo,
Para que o tempo não pare.
E eu e tu somos iguais.
E quando perceberam
Que a noite era só deles,
Mataram desejos
E rolaram beijos
Colados ao corpo,
Perdidos no chão.

Então os dois foram um,
E o tempo nenhum
Para o que tinham para se dar,
Põe o teu corpo no meu,
Deixa a noite acabar.

Então de um fez-se dois,
E o tempo depois
Foi tão pouco para viver,
Põe o teu corpo no meu
Sente o meu a amanhecer. '

Foto - Maria e Chico dela - Algarve

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

53.


Camuflei-me. Camuflaste-te. Camuflámo-nos.
Camuflámo-nos com medo que o correr do tempo nos ultrapassasse.
Fingimos não sermos nós para que as horas passassem ao lado...
Passámos a vida a esconder-nos e a dizer-nos quem nunca tivéramos sido.

Mas já foi tarde, quando percebemos que também o vento (nos)corrompe a alma.. E foi em vão que nada foi em vão.
Porque o tempo é o que temos. E o que nos faz são os ventos.
Foto - tirada há algum tempo , nunca me serviu tão bem como hoje

sábado, 19 de janeiro de 2008

52.

Adormeci
Sem te ter a meu lado,
Um corpo sem alma
Guitarra sem fado.
Um sonho na noite
E olhei-me ao espelho,
Umas mãos de criança
Num rosto de velho.
Eu não quero sera luz que já não sou,
Não quero ser o primeiro
Sou o tempo que acabou.
Eu não quero ser
As lágrimas que vês,
Não quero ser primeiro
Sou um barco nas marés.
Quando todos vão dormir
é mais fácil desistir,
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar.´
Foto - a maneira mais fácil de te ter
:/ É difícil - Pedro Abrunhosa
- Obrigado a quem sente falta e a quem me obriga a fazer o que gosto e o que me esqueço de fazer por culpa do tempo